Arte | Poesia | A melhor hora, há 13anos
Por Rodrigo L Martins, 28. Poeta escritor

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As rachaduras do que construímos Não contam a história merecida Um belíssimo vaso dividimos Mas aqui não há uma partida Reconstruo o vaso com a bagagem Mais dourada que a primeira vista Anjo, não deixa de voar viagens Agora decolas, mas ainda há pista Mesmo quebrando, faria o caminho De novo. Porque me vale a pena Desta pena eu fiz muito pergaminho Voa alto, anjo. Voa sempre plena Porque és o que fez em meu ninho E é assim que verei nossa cena.
Todos os sonhos Eles se embalam Todas as memórias São filmes gravados Todas as palavras São ligas do vaso Eu beijo e coloco na mesa Não é museu nossa nobreza É bela flor nossa beleza É cada momento fortaleza
  Eu ainda enxergo os horizontes Eles ainda estarão lá pra mim Não tenho porque os negar Nem preciso os excluir Eu terei um novo objeto Que cintila porque estará refeito Voltando para seu pedestal Da sala que não tomei a chave Isso é prova que ainda está Isso é prova que dá pra ficar Daqui pra frente muito vai mudar Daqui pra frente tem como ficar Daqui pra frente consigo olhar
  Chaves abrindo salas que Não sabia sequer que Eu deveria mobiliar Chaves abrindo lugares que Contém os espelhos que Eu deveria observar Eu já as tinha Coração todo limpo que Recebeu aquilo que Foi sempre perfeito Coração todo habitado que Entreguei a chave que Você tem o direito E já existia As chaves e o coração que Sabem reconhecer que Você habitará em eterno As chaves e o coração que Eu agradecerei que Viu tudo o mais terno Eu te agradeço.
Ao mesmo tempo que mudei tanto Eu não sei se mudei muito assim Eu olho pra frente com confiança Mas para trás nem tudo teve fim Tudo que deixamos nos caminhos Podemos mas não ter nos mapas Eu tenho medo do vento na pegada Das trilhas sumindo pelas matas Ao mesmo tempo que vejo o status O que já houve enfraquece as pernas E mesmo que me blindei para a vida Sinto o gatilho das crises internas Temos caminhos naturais a seguir Alguns levam a velhos destinos Eu tenho medo daqueles perigosos Que existem mesmo com o abomino Ao mesmo tempo que o futuro brilha Eu tenho medo das noites sem luz Trilhamos caminhos gigantes aqui Mas também tem uma via da cruz A alma se agiganta com aventuras Mas também gosta do mar calmo Há muita tormenta na minha vida Há muita escuridão no mundo alvo Ao mesmo tempo que criei pra mim Inúmeros canhões de puro plasma Alguns lugares desta grande mansão Se escondem os meus fantasmas
  E dentre tudo que me ocorre O talvez martela na cabeça Porque ele viaja em opções Ele viaja em muitas versões E se umas coisas mudassem Talvez não estaria aqui agora Escrevendo e ouvindo canções No meio do mar de emoções E se neste mar de opções Tivesse uma que refizesse Eu mergulharia sem pensar Eu viveria sem querer refutar E se tudo fosse pior que é Ainda ficaria a deriva mental Pensando nos diferentes versos Deste todos possíveis universos E se em algum outro universo Tivesse aquilo que eu sonhei Eu certamente ficaria feliz Não mexo no mundo que não fiz E se é só aquilo que não aconteceu Mas e se deve servir pra ver meu eu
  As memórias vêm quando querem E sinto o que não sei dizer Dos cacos fiz poesia mas alguns eu não sei escrever As memórias saltam do prisma Com cores novas que não via As memórias saltam cinzas Com cores que não se vê. As memórias vêm quando querem E sinto o que não sei dizer Dos cacos fiz poesia mas alguns eu gosto de manter As memórias saltam do prisma Com as cores belas que diz As memórias saltam coloridas Eu só posso te agradecer. As memórias vêm quando querem Porque não quero esquecer. 
  Juntando numa ordem estranha Pois cada momento eu venho Tendo reações que não sei dizer Nem sei se dá pra saber algo De sorrir, de chorar, de doer Talvez só seja o jeito de ser É difícil encaixar palavras Num furacão que estou no olho Eu olho e tudo já está a mexer Talvez só não tenha as respostas Mas também não é de esquecer Tudo isso eu deveria entender? Tudo isso é louco de viver
  As peças que a vida coloca Às vezes foram uma só Quebramos. Somos quebrados Escrevo tentando dar nó Escrevi poemas de peças Os pedaços caem no chão Às vezes saímos feridos Mas ainda tudo está lá No chão de cacos partidos Escrevi poemas aos pedaços Junto na mais bela solda Que belo é te ver montado O que é que é amor se não Um vaso todo remontado Escrevi poemas juntando cacos
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